Hinode Barueri é campeão invicto

Publicado em: 10/04/2017 23:29

De forma invicta, o Hinode Barueri (SP) sagrou-se campeão da Superliga B feminina 2017 na noite desta segunda-feira (10.04), ao vencer o BRH-Sulflex/Clube Curitibano (PR) na decisão. O time paulista levou a melhor sobre o rival paranaense por 3 sets a 0 (25/10, 25/11 e 25/20), em 1h09 de partida no José Correa, em Barueri (SP). Em seis meses de existência, este foi o segundo título da equipe, que tem no comando o técnico José Roberto Guimarães, e já havia levado o troféu da Taça Prata em novembro de 2016.

Com autoridade de quem joga em casa e com o apoio das cinco mil pessoas que estavam nas arquibancadas, o Hinode Barueri usou a pressão da torcida para dominar as ações. Com mais volume de jogo e comandada pelos ataques das ponteiras Érika e Suelle não deu chance às adversárias. O saque também foi uma arma importante do time paulista, que, quando não fazia o ponto direto, dificultava bastante o passe alheio.

Uma das mais experientes do elenco de Barueri, Érika ficou bastante animada com a conquista, principalmente por ter acompanhado o surgimento do projeto e vê-lo se desenvolver. A ponteira ainda garantiu que a tendência é evoluir mais chegar na elite como protagonista.

“Nós plantamos a sementinha e o vimos crescer. Chegamos aqui por amor ao voleibol e com vontade de treinar com o Zé Roberto. Fomos muito bem recebidas. É uma grande felicidade para mim conquistar este título. Eu tenho paixão pelo que faço e terminar a temporada com este presente, que é classificar para a principal liga do país, é muito gratificante. O nível da competição foi alto e com muita organização, e isso é bom para o desenvolvimento do voleibol no país. E pode apostar que vamos dar trabalho na série A. ”, comentou Érika.

Campeão olímpico comandando em três oportunidades (1992 comandando a seleção masculina, e 2008 e 2012 à frente da feminina), o treinador José Roberto Guimarães comemorou o título da Superliga B e exaltou a postura de suas atletas em quadra.

“Queria agradecer ao público que veio dar uma força incrível nesta final e a todas as pessoas que nos apoiaram. Temos sempre que tentar fazer o melhor, não importa qual é a competição. Precisamos melhorar a cada dia, a cobrança tem que existir e elas mantiveram a responsabilidade. O desafio foi muito grande, mas a cidade nos abraçou. Onde eu tenho passado as pessoas me cumprimentam. Meu sonho é que Barueri vire um centro de voleibol como existem outros no Brasil. Sabíamos que tínhamos um time competitivo, mas que precisaríamos jogar muito. Gostei da forma como as atletas encararam este desafio com muita seriedade. Ver a emoção de cada uma ao final foi muito bacana”, disse José Roberto Guimarães cercado por jornalistas por todos os lados.

Do outro lado, a central Valeskinha, capitã do time paranaense, foi o ponto de equilíbrio dentro de um grupo formado com maioria de jovens atletas. Com alguns títulos de Superliga no currículo ela fez um balanço da temporada do Curitibano.

“Quando o Jorge Édson me convidou para o projeto eu nem pensei duas vezes. Gosto de desafios e coisas novas. Começamos a treinar apenas duas semanas antes de começar a competição. Até conseguirmos dar uma cara ao time passamos por algumas dificuldades. Nos playoffs conseguimos focar mais e melhorar nossa condição física e técnica. Hoje não conseguimos fazer o nosso melhor, pois o time é jovem e sentiram a pressão. Mas com certeza foi um crescimento para todas nós”, avaliou Valeskinha.

O JOGO

No primeiro set a equipe curitibana sentiu a pressão da torcida e encontrou dificuldades na virada de bola. As donas da casa abriram 4/0. Sem conseguir arrumar o passe, o time do Paraná devolvia bolas fáceis para as anfitriãs que convertiam os contra-ataques, como na bola de Fê Isis pelo meio para marcar 16/6. O Hinode Barueri não encontrou resistência para fechar a parcial em 25/10 com um ace de Sara.

Com os nervos mais controlados, o BRH-Sulflex/Clube Curitibano voltou para o jogo errando menos e equilibrou a disputa, e ficou na frente com o ace de Valeskinha, 6/7. A resistência das visitantes não durou muito e o time de Barueri conseguiu virar e se distanciar no marcador, com o saque de Ana Cristina a diferença subiu para seis pontos, 16/10.  O bloqueio de Suelle deixou situação do time da casa ainda mais tranquila, 23/11. E com o ace de Érika o Barueri fechou mais um set, 25/11.

A terceira parcial começou com o domínio da equipe paulista que abriu cinco pontos com o bloqueio de Vivi Góes, 9/5. A vantagem se estabeleceu na sequência do set e, com o erro de Hellen, o placar mostrava 16/11, para o time da casa. Na reta final, o Curitibano reagiu e diminuiu a diferença, mas já era tarde, com o contra-ataque de Sara, o Hinode Barueri fechou o set em 25/20, o jogo em 3x0 e levou o título.

ALTO NÍVEL TÉCNICO FOI DESTAQUE

A Superliga B feminina encerra com esta partida a quarta edição da história. A temporada 2017 foi marcada por inovações e o sucesso de público. A participação de atletas com vasta experiência e grandes conquistas com a medalhista de bronze em Sydney 2000, Érika Coimbra, do Barueri, assim como a campeã olímpica em Pequim 2008 Valeskinha, do Curitibano, aumentou o nível da competição e trouxe mais bagagem aos jovens talentos da competição, como meninas que estiveram em convocações recentes das seleções Sub-18 e Sub-20 do Brasil e hoje fazem parte do elenco de clubes que estiveram na competição.

A qualidade técnica das equipes fica explícita quando se olha para o banco de reservas e lá estão nomes importantes do voleibol brasileiro. O Hinode Barueri tem o tricampeão olímpico José Roberto Guimarães como treinador, e ele é auxiliado por Wagão, treinador campeão mundial com a seleção feminina Sub-23. O BRH-Sulflex/Clube Curitibano é comandado por Jorge Édson, campeão olímpico em Barcelona 1992. Os clubes semifinalistas também contaram com nomes fortes. O São Bernardo (SP) teve William Carvalho, capitão da Geração de Prata, como técnico, e o Abel Havan Brusque (SC) foi criado e é comandado por Maurício Thomas, multicampeão com as categorias de base da seleção feminina do Brasil.

“A competição trouxe vários valores tantos de atletas quanto de técnicos, e umas equipes bem montadas. É aí que reside o futuro do voleibol brasileiro, para que continuemos entre as principais potências da modalidade”, comentou Jorge Édson.

O superintendente da Superliga, Renato D’Ávila, celebrou o sucesso do campeonato. O dirigente afirmou que bons exemplos podem ser observados nos projetos e que a competição alcançou um novo patamar.

“Acho que, neste ano, a Superliga B subiu uns dois ou três degraus. Houve uma conjunção de fatores positivos que jogaram o nível da competição para cima. Tanto no nível técnico, quanto no calibre dos projetos participantes. Isso motiva outras equipes a se sentirem atraídas para o campeonato. O projeto do Hinode Barueri é o melhor exemplo que poderemos usar nos próximos anos de que quem faz alguma coisa subindo degrau a degrau, pois passaram pela Taça Prata, jogaram a Superliga B, e vem fazendo bonito com uma estrutura maravilhosa”, ponderou o dirigente.

BOM PÚBLICO E TRANSMISSÕES MARCAM A TEMPORADA

O ano de 2017 foi de consolidação do campeonato. E a presença do público no ginásio demonstra isso. Na partida decisiva, nesta segunda-feira, cinco mil pessoas compareceram ao José Correa, e, no somatório de todas as 32 partidas realizadas na temporada, este número chega a 33 mil pessoas, em sete cidades de três estados.

Mas não foi somente indo aos ginásios que o fã de voleibol pode acompanhar a Superliga B feminina. Pela primeira vez o campeonato contou com transmissões que chegaram aos torcedores por meio das redes sociais e canais de TV aberta e por assinatura. A página da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), no Facebook, transmitiu três partidas das semifinais, com alcance total de 885 mil pessoas, enquanto a RedeTV exibiu o segundo jogo semifinal entre São Bernardo (SP) e Hinode Barueri (SP). O SporTV foi o responsável por televisionar a grande decisão.

A Superliga B feminina 2017 contou com a participação de sete clubes. Além dos finalistas Hinode Barueri e BRH-Sulflex/Clube Curitibano, também estiveram na disputa o Abel Havan Brusque (SC), o São Bernardo (SP), o São José dos Pinhais (PR), o ADC Bradesco (SP) e o ACV/UnoChapecó/Orbenck (SC).

O Banco do Brasil é o patrocinador oficial do voleibol brasileiro